Você precisa de um partido pra chamar de seu

FORA

Durante as manifestações ocorridas no mês junho, um outro fato, além da manifestação em si e de alguns atos de vandalismo (esses, por vezes alheios a qualquer reivindicação), chamou minha atenção: o repúdio da maior parte da população aos partidos políticos que tentaram participar dos atos.

Houve quem afirmasse que a ausência de agremiações políticas é coisa de ditadura ou que os partidos ditos de esquerda foram hostilizados por representarem o governo. Bobagens. O motivo é muito mais simples e talvez mais preocupante: as pessoas não querem proximidade com os partidos porque não se identificam com eles.

Segundo o IBOPE, em 1988, apenas 38% das pessoas declaravam não ter um partido da sua preferência. 61%  apontavam preferência por algum partido político. Em 2012, 56% dos brasileiros afirmaram não ter nenhuma preferência partidária.

Qual a causa dessa total inversão dos números em pouco mais de duas décadas?

Na realidade, a reação da população é reflexo do que ocorre nos próprios partidos. Não há uma ideologia ou um padrão ético por parte dos seus integrantes, o que torna a mudança de legenda às vésperas de uma eleição, por exemplo, um mero ato de migração para onde haja maior vantagem. Os próprios partidos estão “adaptando” suas ideologias às preferências do mercado.

Como esperam que as pessoas criem identidade política se quase ninguém se sente representado?

É claro que há também aqueles que nunca se interessaram e nunca se interessarão por política, o que é um erro, pois tudo é política. E quem não se identifica com nada pode facilmente simpatizar com qualquer coisa. E é aí que está o perigo.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem registrados, hoje, trinta partidos políticos.

É muito partido para uma população que não quer saber deles.

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