Isso não é sobre R$ 0,20

PROTESTO/PASSE LIVRE/SÉ

Inicialmente, as manifestações que agora ecoam por várias cidades resumiam-se a protestos contra os aumentos das passagens de ônibus.

Ouvi algumas pessoas comentando “mas tudo isso por causa de R$ 0,20?”. Não, não são só R$ 0,20. São R$ 0,20 a mais para pagar uma passagem que está entre as mais caras do mundo quando calculada pelo número de horas que se precisa trabalhar para pagá-la. São R$ 0,20 a mais para tomar um ônibus lotado e ir em pé até casa.

Na realidade, os vinte centavos se traduzem em outros vinte motivos para sair às ruas e protestar. Protestar contra a falta de segurança, contra o desperdício do dinheiro público, contra o oba-oba da gastança da copa, contra o descaso com a saúde pública. Enfim, eu poderia enumerá-los todos, mas você já deve saber sobre cada um deles.

Então, isso não é sobre R$ 0,20. Isso está ligado ao fato de a população estar tomando um posicionamento e exercendo seu legítimo direito de se indignar e fazer com que a classe política tome conhecimento desse descontentamento. Na Argentina, por exemplo, os panelaços ocorrem dia sim e outro também, sempre que o povo os acha necessários. E democracia é assim mesmo.

Quando assisti ao documentário “Sicko – $O$ Saúde” (2007), que trata sobre o sistema de saúde americano e mostra outros exemplos de saúde pública pelo mundo, ouvi um francês dizendo algo do tipo “aqui a saúde funciona porque o governo tem medo do povo”, e fiquei pensando: “aqui, o povo teme o governo”. E teme porque não tem a consciência de que se o poder emana do povo, esse mesmo povo pode destitui-lo desse poder. Afinal, política é muito chato, não é?

Deixo claro que sou totalmente contra os atos de violência que tenho presenciado, de ambas as partes. Mas protestar é algo válido, sim. Desde que seja feito de forma pacífica e organizada. Caso contrário, o ato perde sua legitimidade.

Espero que essa conscientização coletiva não seja apenas uma moda ou uma onda que ameaça ser tsunami, mas termina em marola.

2014, além de ano de Copa, é ano eleitoral. Chega de candidatos engraçadinhos e sem propostas sérias e consistentes. Fique de olho nesse povo que troca de partido como quem troca de roupa porque é mais vantajoso. Político não tem que ser tudo igual. Não no pior sentido.

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