Inadimplente, quem? Eu?

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O primeiro post do Econofácil não teve muito como fugir do assunto. Está em todos os jornais, e quase todo mundo conhece pelo menos uma pessoa que, seja lá por qual motivo, já passou por isso: inadimplência.

Segundo o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), a inadimplência cresceu nas duas primeiras semanas do mês de julho na capital paulista. Dados divulgados nesta terça-feira pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), mostram que o Indicador de Registro de Inadimplentes (IRI), sofreu alta de 9,4% quando comparado com o mesmo período do ano passado.

No mês de maio, conforme divulgou o Banco Central, a inadimplência atingiu um patamar recorde. De acordo com os dados, 8% dos empréstimos concedidos a pessoas físicas sofreram atrasos nos pagamentos superiores a 90 dias.

Os maiores calotes estão nas seguintes categorias:

Aquisição de bens – 13,9%

Cheque especial – 11,3%

Financiamento de veículos – 6,1%

Crédito pessoal – 5,7%

O consumo move a economia, mas indivíduos inadimplentes sofrem restrições ao crédito e ficam impedidos de consumir. A economia trava.

Após conversar com algumas pessoas, descobri que praticamente todas se fizeram as mesmas perguntas: “Como deixei as coisas chegarem a esta situação?”, “Como saio deste buraco?”

As respostas não são tão simples quanto pode imaginar alguém que nunca passou por isso. Vejamos alguns fatos:

Com a facilidade de crédito, apesar dos juros ainda altos, as pessoas passaram a contrair prestações que coubessem em seus bolsos sem se dar conta que a soma delas resultaria em uma conta com valor elevado, comprometendo, assim, boa parte do salário.

Ao financiar um automóvel em 48 vezes, por exemplo, ninguém acha que poderá perder o emprego no meio do caminho e não vai conseguir pagar o restante das prestações. São coisas que acontecem…

A senha do cartão do crédito vale dinheiro no momento da compra, mas não é capaz de fabricar dinheiro para pagar a fatura. É triste, mas é verdade.

Pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito é uma solução que pode trazer um alívio financeiro a princípio, mas pode se tornar um enorme problema no mês seguinte.

Os juros do cartão de crédito neste ano subiram de 237,9% em janeiro para 323,14% em junho. São 12,77% ao mês. Não há nenhuma aplicação no mundo que renda isso.

Usar o cheque especial para pagar a fatura do cartão do crédito só é negócio em uma situação de emergência, ou seja, quando se sabe que se vai ter o dinheiro dentro de alguns poucos dias, não desejando pagar os juros do cartão, que são mais altos que os do cheque especial.

Quase todos que se tornaram inadimplentes passaram por uma ou mais que uma das situações acima. Conheço gente que só não perdeu o emprego, mas o resto… Geralmente começa com o atraso de algum pagamento. Para pagar essa conta, toma dinheiro no cartão de crédito, porque é um meio fácil. Quando a fatura do cartão chega, além das compras, há o empréstimo. Paga-se o mínimo, continua-se a consumir no cartão e tudo vira uma bola de neve que não para de crescer até que a conta se torne impagável.  Para a operadora do cartão ou para o banco, clientes que pagam a fatura integral ou que não usam o especial não são um bom negócio. Entenda bem, não estou dizendo que não vale a pena para as instituições ter clientes que não atrasam, mas clientes que pagam juros, ou seja, que lhes dão dinheiro a mais, são um ótimo negócio, desde que paguem. E é neste ponto que está o problema. As dívidas crescem de uma forma tão desproporcional que se torna muito difícil sua quitação.

E qual a solução?

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