Os jovens “nem-nem”

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Um quinto dos jovens brasileiros, com idades entre 18 e 25 anos, não estuda, não trabalha e não procura por emprego.

Nessa situação se encontram 5,3 milhões de pessoas, quase a população da Dinamarca, segundo o estudo “Juventude, desigualdades e o futuro do Rio de Janeiro”, coordenado pelo professor Adalberto Cardoso, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que se baseia em microdados do Censo Demográfico de 2010, do IBGE  (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Pelos dados do especialista do Iesp, o número de moças que fica em casa é quase o dobro do dos rapazes: respectivamente, 3,5 milhões e 1,8 milhão.

Trata-se de números alarmantes, principalmente quando se leva em conta que, em 2010, ano do Censo, a economia brasileira cresceu 7,5%.

São vários os motivos pelos quais esses jovens estão fora do mercado, mas talvez o principal deles seja a baixa qualificação, que, de tão ruim, faz com que o mercado de trabalho não os absorva, mesmo estando em plena atividade.

Ainda segundo o professor, eles acabam por desistir, e são os pobres os mais afetados. Entram nesses números os jovens que foram atraídos para a criminalidade.

“A escola não consegue atrair o jovem, levando a uma elevada evasão escolar. Em consequência, ingressar no mercado de trabalho vai ficando mais e mais difícil”, explicou Cardoso.

Outro estudo, dessa vez realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com dados dos anos entre 2000 e 2010, traz dados que vêm complementar a pesquisa de Cardoso. Ele mostra que o número de homens jovens que nem trabalham nem estudam sofreu aumento de 1,107 milhão nesse período, enquanto entre mulheres da mesma idade houve queda de 398 mil.

O instituto levou em consideração a definição de população jovem entre 15 e 29 anos, de acordo com a Secretaria Nacional da Juventude.

Durante esses 10 anos, a mudança no perfil dos “nem-nem” (como é chamado o grupo) deve-se à maior participação da mulher no mercado de trabalho e à mudança de papéis.

Embora os índices demonstrem uma queda, as mulheres ainda são maioria entre os jovens “nem-nem”.

Em 2000, 6,4 milhões de jovens mulheres estavam nessa categoria, e hoje são 6 milhões. Já os homens jovens “nem-nem” passaram de 1,8 milhão para 2,9 milhões.

De acordo com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2001 a 2011, os jovens que nem trabalham nem estudam têm o seguinte perfil de escolaridade média: 8,03 anos em 2011 (6,01 anos em 2000) para as mulheres e 6,95 anos de estudo em 2011 (5,33 em 2000) para os homens.

Fonte Ipea/IBGE

O estudo ainda aponta que a maioria dos jovens que não estudam e não trabalham tem assistência da família e mora em domicílios de baixa renda, nos quais o chefe da família tem idade média de 40 anos e baixa escolaridade.

Esse é um quadro que tende a se perpetuar caso o modelo de ensino não sofra uma mudança radical, de modo a atrair e manter os jovens na escola. Parece algo repetitivo, mas não há como crescer sem que investimentos maciços em educação sejam efetivamente realizados.

1 comentário

  1. Ricardo Martins - 11 de dezembro de 2012 9:53

    Isso me lembra o filme “Idiocracy”, que mostra um experimento de congelamento que não deu muito certo, e um casal (um jovem mediano e uma prostituta) acordam em meio a uma tempestade de lixo no ano de 2500 como sendo os seres mais inteligentes do planeta.
    Veja o trailer em http://www.youtube.com/watch?v=BBvIweCIgwk.
    Acho que tem o filme completo no proprio youtube: http://www.youtube.com/watch?v=gK2diven4RU.

    Ótimo post.

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