Metas Inflacionárias

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O que acontece com o regime de metas inflacionárias? Por que alguns afirmam que não dá certo no Brasil?

 

O regime de metas vigora desde 1º de julho de 1999, quatro anos após a implantação do Plano Real.

Na realidade, não se pode afirmar que a política de metas inflacionárias não deu certo. O que ocorre é que, quando as metas centrais são fixadas, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, e é justamente nesse intervalo que os três últimos índices anuais de inflação têm se localizado. Como pode ser visto na tabela abaixo, desde 1999, em apenas quatro anos a inflação ficou no centro da meta.

ANO

INFLAÇÃO PELO IPCA (EM %)

CENTRO DA META (EM %)

1999

8,94

8

2000

5,97

6

2001

7,67

4

2002

12,53

3,5

2003

9,3

3,25

2004

7,6

3,75

2005

5,69

4,5

2006

3,14

4,5

2007

4,46

4,5

2008

5,9

4,5

2009

4,31

4,5

2010

5,91

4,5

2011

6,5

4,5

2012

5,84

4,5

Fonte: Banco Central

É o fim do mundo? Ainda não. Países como a Inglaterra, por exemplo, também estão com índices de inflação acima do centro da meta. A diferença é que, aqui, além de as metas serem elevadas, o intervalo de tolerância é mais amplo.

Existem alguns motivos para que as metas permaneçam acima do centro. Um deles é a memória recente de um período de hiperinflação. Afinal, o Plano Real tem apenas 19 anos, e isso é pouco tempo para que velhos hábitos sejam abandonados, como, por exemplo, a indexação. Veja as contas de energia, água, telefonia, planos de saúde e ônibus interestaduais, os chamados preços administrados, que têm esse nome porque são administrados por contratos que sobem todo ano. Esses serviços são reajustados com base na inflação passada, ou seja, o aumento está indexado ao índice de inflação do ano anterior. O salário mínimo também tem reajuste nesse mesmo parâmetro.

Por outro lado, nossa economia é sensível ao preço das commodities e dependente da taxa de câmbio. Nas últimas semanas, o Banco Central tem feito esforços para manter o dólar em um patamar razoável para importadores, exportadores e população em geral. Isto porque trigo e gasolina, por exemplo, têm seus valores fixados em dólar. A conta é muito simples: se o dono da padaria paga mais caro pelo trigo, consequentemente isso será repassado para o pãozinho.

Outro fato: a Petrobras, apesar de sermos quase autossuficientes na produção de petróleo, importa gasolina, e já há pressões para um aumento, o que significa que tudo que depende de gasolina estará sujeito a uma adequação de preços.

E ainda há o fenômeno da ascensão da classe C. Isso mesmo. Hoje, existem mais pessoas aptas a consumir. Porém, isso causa o que chamamos de inflação de demanda. São mais consumidores no mercado, mais dinheiro em circulação  e uma produção insuficiente para suprir essa demanda.

É justamente por esse último motivo que o Banco Central tem elevado a taxa de juros oficial, a SELIC, que agora está em 9%. É uma forma de tornar o custo do dinheiro mais caro, como empréstimos e crédito em geral, contendo, assim, o consumo e promovendo um “equilíbrio” na economia.

Como se pode perceber, conter a inflação é um pouco mais complexo do que se imagina. Pense no que aconteceria se o governo, de uma hora para outra, decidisse que o salário mínimo não teria mais a reposição de perdas causadas pela inflação. Aí sim, o fim do mundo estaria mais próximo.

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