Castelos de areia

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Outro dia, li uma matéria no UOL Economia sobre certos  imóveis de luxo no Brasil que têm preços equivalentes aos de castelos na Europa.

Antes de qualquer coisa, é importante deixar claro que nem todos os castelos estão com preços baixos e que, na Europa, também existem imóveis com valores bem mais elevados que os de alguns castelos.

Essa notícia despertou em mim a curiosidade de saber se, na cidade de Santos, esse fenômeno também ocorre. Afinal, o m2, que custava entre R$ 2,5 mil e R$ 4,5 mil em 2010, sofreu, em dois anos, uma valorização que pode chegar a 122%. Em 2012, o m2 variava entre R$ 4,5 mil e R$ 10 mil.

Como quem procura acha, encontrei uma casa à venda em um condomínio fechado, situado em um dos morros da cidade, anunciada por R$ 8 milhões. Um pouco mais cara que um castelo do século XII, próximo à cidade de Avignon, em um vilarejo da França, cujo valor exato não foi revelado, mas o anúncio diz que está na faixa de R$ 3,5 milhões a R$ 6,3 milhões.

Também localizei anúncios de apartamentos com custos entre R$ 1,4 milhão e 2,4 milhões. Ouvi sobre apartamentos bem mais caros; porém, não encontrei a oferta de venda para comprovação.

Segundo Luciano Bottini Filho, em colaboração para a Folha de São Paulo,por R$ 1,5 milhão é possível adquirir 2,7 mil metros quadrados de área útil e cinco hectares de terra de um castelo polonês, que serviu de moradia para o conde Magnis Bozkow no século XVI. Na Europa Oriental, há pechinchas por R$ 600 mil, como um castelo suíço do século XVIII, em uma zona turística próxima ao rio Elba.” Esse último, segundo o texto, precisa de reformas da ordem de R$ 4.000 por m2.

Voltando à nossa realidade, o fato é que estamos bem longe de almejar viver em castelos ou em imóveis de luxo. Mesmo porque, qualquer um que tenha tentado adquirir ou alugar um “dois dormitórios” já percebeu que o buraco é bem mais embaixo e que nossos castelos são de areia.

Segundo o artigo Determinantes do Preço dos Imóveis em Santos: Um Estudo Preliminar, dos autores Paulo Costacurta de Sá Porto, Daniel Arias Vazquez e Caio Rodriguez Antunes Corrêa, publicado como capítulo do livro: VAZQUEZ, D. A. (Org.) A Questão Urbana em Santos: uma Análise dos Processos em Marcha, “o ciclo recente de valorização dos preços dos imóveis em Santos está relacionado à predominância de um padrão de construção que pouco contribui para o enfrentamento do déficit habitacional e da segregação socioespacial marcante em Santos e região. Os investimentos de grandes construtoras estiveram concentrados em unidades habitacionais para um público de maior renda, e, de outro lado, há uma menor oferta de crédito habitacional dirigido às famílias economicamente menos favorecidas.”

Ou seja, a continuar nesse ritmo, Santos tende a se tornar uma cidade elitizada. O que já se observa é a migração da população de menor poder aquisitivo, forçada a procurar por moradia de preços mais acessíveis, para outras regiões da Baixada Santista.

Quem de nós teve seus rendimentos valorizados em 100% nos últimos dois anos?

1 comentário

  1. marizelda rosa - 17 de junho de 2017 2:39

    São muito bonitos

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